Amazonas aposta em educação ambiental para prevenir novas queimadas

Altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca favorecem a formação e a propagação de focos de incêndio. Em meio à estiagem e aos efeitos do fenômeno El Niño, a Onda Digital ouviu o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e um especialista sobre as iniciativas adotadas para combater as queimadas e conscientizar a população sobre os riscos.
Segundo dados do CBMAM, Manaus registrou 564 incêndios florestais entre janeiro e agosto de 2026, contra 133 no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 324%.
Diante desse cenário, a Onda Digital conversou com o CBMAM para saber quais iniciativas estão sendo adotadas durante o período crítico do ano. O órgão voltou a orientar a população para que não ateie fogo à vegetação de forma alguma.
“O Governo do Amazonas, por meio do Corpo de Bombeiros Militar, esclarece que, entre os meses de maio de 2025 e maio de 2026, a corporação mais que dobrou o número de municípios com bases permanentes da corporação, saindo de 11 para 25 cidades”, afirmou a corporação.
Além da ampliação da presença dos bombeiros no interior, o CBMAM também investe em educação ambiental como estratégia para prevenir novos focos de incêndio.
“Nos meses de junho e julho deste ano, a execução de atividades do Plano de Educação Ambiental do CBMAM alcançou 30.049 pessoas e formou 574 brigadistas em 18 municípios do estado. A qualificação ocorreu por meio de 298 palestras de conscientização ambiental com foco na prevenção de queimadas e incêndios florestais”.
Operação Amazonas + Verde reforça estrutura
Lançada em maio, a operação Amazonas + Verde reforçou a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) para o combate às queimadas e aos incêndios florestais. A iniciativa incluiu a entrega de 20 novas viaturas, sendo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndio, além de 453 equipamentos multimissão para ampliar a capacidade operacional das equipes.
A operação também conta com ações de prevenção por meio do Plano de Educação Ambiental (PEA), voltado à conscientização da população e ao combate a ilícitos ambientais.
“Principalmente focado em combate a ilícitos ambientais e preservação ambiental. As nossas equipes estão em diversos municípios do interior do estado e o objetivo é abordar as comunidades rurais, as escolas, formar uma consciência preventiva, tanto através da formação de brigadistas quanto de palestras”, afirmou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz.
As atividades do PEA são realizadas com diferentes públicos, incluindo alunos da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior. O programa também contempla professores, produtores rurais, pescadores, militares, voluntários e moradores de comunidades agrícolas, ribeirinhas e indígenas.
Entre as principais metas estão a redução dos impactos ambientais provocados pelas queimadas e incêndios florestais, o fortalecimento da cultura de preservação e a prevenção de queimadas em áreas urbanas.
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Ambientalista destaca importância das medidas
A Onda Digital também ouviu o ambientalista Carlos Durigan, geógrafo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que avaliou as iniciativas do CBMAM e destacou a importância do reforço na estrutura da corporação para ampliar a capacidade de atendimento às ocorrências no estado.

O especialista avaliou que a ampliação da estrutura do Corpo de Bombeiros no Amazonas é de extrema importância, pois aumenta a capacidade da instituição para atender às demandas dos municípios contemplados.
“A iniciativa de ampliação da estrutura do Corpo de Bombeiros no estado é de extrema importância e amplia a capacidade da instituição no atendimento a demandas nos municípios a serem atendidos. Sabemos que historicamente há grande necessidade em todo o estado por esse tipo de suporte, e um processo de ampliação certamente irá ajudar o atendimento de ocorrências relacionadas à emergência climática que vivemos atualmente”.
No entanto, o pesquisador também ressaltou a necessidade de intensificar a prevenção diante das condições climáticas.
“Vivemos numa crise ambiental sem precedentes, na qual o surgimento de períodos de extremos climáticos tem sido mais frequente e intenso. Em especial durante os períodos de seca extrema dos últimos anos, que tem se agravado com o surgimento de efeitos do fenômeno El Niño, como o que estamos vivenciando agora em 2026, é muito importante que tenhamos ações preventivas e de extremo cuidado em atividades que podem potencializar efeitos nocivos deste período”.
Durigan explicou ainda que a seca deixa a vegetação mais inflamável e aumenta o risco de propagação do fogo.
“Com meses de extrema seca, a tendência é de termos áreas de vegetação sob estresse hídrico, o que aumenta drasticamente sua inflamabilidade. Assim, o uso do fogo para qualquer atividade tem que ser feito sob orientação das instituições responsáveis e com cuidado redobrado. Incêndios têm sido frequentes e causam grandes perdas ambientais, econômicas e, mais importante, afetam negativamente a saúde de todos nós”, continuou Durigan.
Por fim, o especialista reforçou que a conscientização da população precisa acompanhar o trabalho operacional das forças de segurança.
“Ações preventivas agora são fundamentais para que não soframos ainda mais neste período. Existem campanhas em curso que precisam ganhar força nos meios de comunicação, para que mais e mais pessoas estejam conscientes dos riscos e sejam responsáveis”.





